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Breve retrospectiva 2007


por Ricardo Sorrenti
   Segue fresca na memória dos apaixonados pelo herói aracnídeo a expectativa e ansiedade para assistir à estréia do terceiro filme, ocorrida no mês de maio. E assim ela se mantém por dois motivos: ou amaram e sentiram que valeu a pena visitar sites e caçar aqui e acolá novas fotos ou vídeos de divulgação, ou detestaram o longa do diretor Sam Raimi e passaram o resto dos meses se recriminando por perderem horas atrás de informações sobre o tão comentado Homem-Aranha 3, cuja trilogia já rendeu mais de 1,5 bilhão de dólares aos seus produtores.
   Eis que a poeira levantada pelos terceiros episódios das também trilogias igualmente rentáveis, Piratas do Caribe e Shrek, começa a baixar e um capítulo já convencional no cotidiano brasileiro tornou-se distinto pela nova febre do cinema nacional: a Tropa de Elite de José Padilha. Mas o capítulo ao qual me refiro é o da pirataria, que aqui no País rende milhares e milhares de reais por ano para o chamado “comércio informal”.
   E se as estimativas do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística) estiverem corretas, a versão “informal” de Tropa de Elite que circulou pela web, camelódromos e de mãos em mãos foi assistida por cerca de 11 milhões de pessoas. Isso fez com que a estréia nos cinemas do longa fosse antecipada e com que a história do Capitão Nascimento fosse presenciada por mais de dois milhões de pessoas nas salas escuras, passando a ser o filme nacional mais visto em 2007 (mesmo embora o escolhido para concorrer à vaga de melhor filme estrangeiro para o ano que vem foi o belíssimo O Ano que meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger).
   Outro ponto curioso neste ano foi a crescente demanda de filmes franceses que chegaram aos cinemas brasileiros. A começar pelas retrospectivas das obras dos cineastas Jean Paul Civeyrac e Claude Lelouch, ambas realizadas durante a 31º Mostra Internacional de Cinema de SP, em outubro. Outro filme de Lelouch, Crimes de Autor, chegou ao circuito aberto também, este em novembro. Antes disso, inaugurando a blitz cinematográfica francesa de 2007, Paris, Te Amo, uma coleção de 18 curtas-metragens sobre a “Capital do Amor” realizados por cineastas de todo o mundo, rendeu diversos elogios e fez sua discreta participação nos cinemas.
   A mais nova produção de Alain Resnais, Medos Privados em Lugares Públicos, uma adaptação da peça do inglês Alan Ayckbourn, mostra não apenas o vigor desse grande expoente da Nouvelle Vague (atualmente com 85 anos) da década de 1960, como também que o cinema francês vem pelas beiras para os cinemas brasileiros. E o filme que deu a coroa às produções francesas, ao meu ver, foi o filme Piaf, um Hino ao Amor, de Olivier Dahan (mas todos os outros filmes aqui citados são extremamente recomendados).
   Esta curta retrospectiva não abrange todos os filmes que eu gostaria de citar e sequer explora com a devida honra merecida as obras produzidas ao longo de 2007. Ela serve apenas um anúncio para o artigo da próxima semana, onde serão eleitos os dez melhores e os dez piores filmes do ano – listados, não em competição.
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