por Ricardo Sorrenti

Olivier Assayas (Espionagem na Rede) vem da mesma geração formadora de opiniões da revista Cahiers du Cinema, que Jean-Luc Godard, François Truffaut e tantos outros diretores franceses vieram, nas décadas de 50 e 60, quando a Nouvelle Vague deu novos ares à forma de fazer cinema.
No entanto, Assayas, então crítico da revista, começou sua carreira cinematográfica em meados da década de 80. Nessa época, já não se reconhecia mais como novidade as transgressões dos ex-críticos e, posteriormente, cineastas, citados anteriormente. Mas, mesmo assim, isso não diminui a importância de Assayas para a cinematografia francesa.
Em seu último filme, Horas de Verão (L’ Heure d’été), Assayas filma a fragilidade familiar, esta que, na essência dos descendentes do pintor francês Paul Berthier, surge quando Hélène (Edith Scobe) morre idosa e solitária, cercada pelas valiosas obras de seu tio, em uma casa tão velha e recheada de memórias.
Para seus filhos, Frederic (Charles Berling), Adrianne (Juliette Binoche) e Jérémie (Jérémie Renier), resta a dúvida do que fazer com o legado do famoso parente e a casa. Divididos pelo lucro do legado deixado e pela carga emotiva que significa para eles, pequenos conflitos vem à tona em um carrossel de idéias que, nas mãos de Assayas, acompanha as três gerações da família Berthier.
Simples em imagens, Horas de Verão se desenrola a passos lentos, mesmo embora pouco aconteça no filme. Sua expressão está nas memórias de seus personagens, no que cada um sente por determinado objeto – se vende ou se o mantém para conservar vivo algum sentimento. Por outro lado, todos esbarram em obstáculos reais da vida cotidiana, tendo ido cada irmão para um canto do mundo; uma vida diferente que não se dispõe a viver um museu de emoções enclausuradas entre quatro paredes.
Pois se Assayas ditou ritmo tão íntimo, onde essa intimidade aparece sempre translúcida ao espectador, remete também a nós, sentados na poltrona, remoer no passado lembranças que nos atreva sentir novamente o gosto doce da infância. Mas não tão atrevido, e sim realista, o cineasta cria o paralelo de mundos entre Hélène e Frederic, com seus felizes mundos de memórias guardadas, contra a perspectiva de Adrianne e Jérémie em se desvencilhar do passado e viver o presente com o foco no futuro.
De Hélène a Frederic, que, por sua vez, tem dois filhos, três gerações passam por um mesmo símbolo: uma casa. Assayas não parece julgar as gerações, mas detalhar o valor sentimental que cada um se agarra firmemente, e como os anos podem passar, e, mesmo assim, serem certos valores tão iguais para todas as idades.
Sinopse:
As distintas trajetórias de dois irmãos e uma irmã de quarenta e poucos anos se chocam quando sua mãe — que preservava a obra de seu tio, o excepcional pintor do século XIX Paul Berthier —, morre repentinamente. Os filhos são levados ao confronto de suas diferenças. Adrienne, uma bem sucedida designer em Nova York; Frédéric, economista e professor universitário em Paris; e Jérémie, um dinâmico empresário que vive na China, são apresentados às texturas e lembranças do final da infância, às memórias partilhadas, criando uma visão única do futuro.
Dias de Exibição:
Sexta-feira – 17/10
HSBC Belas Artes – Sala 2
Sessão 62 – 17:40
Sábado – 18/10
Cinemark Cidade Jardim
Sessão 177 - 19:00
Terça-feira – 21/10
Espaço Unibanco 3
Sessão 406 – 16:00
Domingo – 22/10
Cine Bombril 1
Sessão 490 - 19:20
Quinta-feira – 23/10
HSBC Belas Artes – Sala 2
Sessão 603 – 16:10