por Carlos Nakao
Quem tem dinheiro tem poder. Poder para realizar grandes obras, poder para influenciar pessoas, poder para modificar o mundo. O dinheiro pode ser direcionado para diversas finalidades, inclusive para a educação. Porém, especificamente para este fim, o dinheiro é importante, mas não é suficiente.
Segundo notícia veiculada no jornal Destak em 25 de setembro, o Rio de Janeiro implantou um programa denominado Mérito Escolar, que visa estimular o ensino dentre os jovens estudantes. Esta iniciativa destinará prêmios de até R$ 4.500,00 aos melhores alunos do ensino fundamental.
Ao mesmo tempo em que vejo grandes méritos neste programa, vejo também grandes riscos. Como pontos positivos, observo o estímulo e o direcionamento do jovem ao estudo e a educação, aspectos fundamentais na vida de todos. Destaco também a valorização da visão da recompensa pelo mérito, ou seja, a percepção de que somente os melhores serão premiados. Afinal, ainda que o desejo da maioria dos pais e educadores seja proteger o jovem da competição exacerbada do mundo atual, é justamente sob esta ótica competitiva - dos vencedores e dos perdedores – que somos julgados diariamente no mercado de trabalho. E somos remunerados, de forma bastante diferenciada, por estes rótulos. Desta forma, quanto antes os jovens se acostumarem com esta idéia, antes se adaptarão a sociedade capitalista que vivemos.
Por outro lado, veja também grandes riscos. O dinheiro é o poder que quando vem sem a devida preparação, desvirtua e corrompe. O dinheiro tem de vir acompanhado de dignidade, de honra, de caráter, princípios que famílias bem estruturadas podem garantir ao jovem estudante. O que preocupa, neste caso, é o potencial mau uso que pode ser destinado ao prêmio financeiro, no caso do vencedor ser oriundo de um lar desagregado.
O dinheiro tem o poder de incrementar virtudes e defeitos. O jovem bem orientado, se vencedor do prêmio, pode destinar os recursos a livros, viagens, revistas, atividades culturais, e se tornar com isso, ainda mais bem-sucedido. Porém, o jovem mal orientado, tende a usar o prêmio para se perder nas drogas, nos jogos, nos vícios que tem o poder de deteriorar ainda mais seu caráter e sua personalidade.
Portanto, os riscos desta bem intencionada iniciativa talvez não valham os benefícios proporcionados. Quem sabe, a substituição do prêmio financeiro por livros, assinaturas de revistas, bolsas de estudo em faculdades privadas, não tornaria o programa mais efetivo sob o ponto de vista ético e pedagógico?