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Profundidade da crise imobiliária norte-americana


por Carlos Nakao
Profundidade da crise imobiliária norte-americana
Carlos Nakao*
11 de fevereiro de 2008

Em momentos como o atual, muitos questionam a profundidade da crise americana e seus efeitos sobre nossas vidas e nossos investimentos. Afinal, a instabilidade e a retração do mercado financeiro dos últimos meses revelam apenas um desaquecimento momentâneo ou seria o início de um grande período de depressão econômica mundial?

No meu entender, o mercado imobiliário norte-americano vem sofrendo uma necessária correção de preços que finaliza um ciclo de prosperidade notável. E esta correção contaminou o mercado financeiro, dado que ambos mercados são intimamente conectados. Apenas isto. Não vejo possibilidade da economia norte-americana ruir e conduzir ao abismo outras economias. Assim como não vejo possibilidade de uma grande depressão em âmbito mundial.

Nas últimas décadas o mercado imobiliário americano financiou de forma exemplar o crescimento econômico deste país. O enorme apetite dos norte-americanos por imóveis, aliado ao abundante crédito que caracteriza o mercado financeiro desta nação, criou condições para a crise atual. Os créditos mal-concedidos no passado vieram à tona sob a forma da inadimplência no presente, o que pode ser evidenciado nos prejuízos dos bancos e das instituições financeiras que embasam sua lucratividade no mercado imobiliário. Os demonstrativos financeiros destas instituições demonstram a gravidade deste problema. Mas não acredito que haverá quebras de bancos nos Estados Unidos; nem tampouco em outros países.

O mercado financeiro mundial evoluiu significativamente nas últimas décadas. O ambiente regulatório se fortaleceu, as instituições disciplinadoras e fiscalizadoras se aprimoraram. De maneira geral, pode-se dizer que hoje os bancos centrais ao redor do mundo estão mais bem preparados do que nunca para enfrentar crises. Além disso, os bancos privados continuam demonstrando solidez.

Neste cenário, ainda existem créditos mal-concedidos que geram inadimplência. Ainda existem casos de fraudes em grandes bancos motivadas pelos próprios funcionários. Ainda existem e sempre existirão. Mas não me parece que existam motivos que justifiquem o pânico de alguns investidores. E não acredito que os solavancos da economia mundial representem motivos para esquecer das grandes conquistas da economia brasileira nos últimos 14 anos: estabilidade monetária, sistema bancário em desenvolvimento, mercado de capitais em franca expansão.

Existem fortes indícios para crer que a crise do mercado imobiliário norte-americano não afetará em nada os resultados dos investidores brasileiros com visão de longo prazo.
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